- Portugal com crescente importância para as empresas alemãs
- Redução da burocracia e dos custos de energia decisiva para a competitividade europeia a nível mundial
- Inteligência Artificial (IA) vista como motor de crescimento para a economia europeia
Portugal pode desempenhar um papel significativo no reforço do poder comercial da Europa. Esta é uma das conclusões da Conferência Europeia da Economia Alemã que se realizou a 17 e 18 de setembro em Lisboa. Vários líderes da economia e da política alemãs e portuguesas, representantes de dezenas de Câmaras de Comércio alemãs de todo o mundo e responsáveis de empresas alemãs em Portugal debateram sobre a competitividade europeia, as oportunidades da Inteligência Artificial e a Segurança & Defesa. A Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã (CCILA) conseguiu trazer o evento bienal pela primeira vez a Lisboa. O argumento convincente foi a crescente importância da Península Ibérica para a competitividade da Europa a nível comercial e político. Para além das vantagens como a localização económica, Portugal recomenda-se como parceiro estratégico pelas suas relações privilegiadas com o Brasil e os países lusófonos em África.
“Para Portugal, esta Conferência é uma oportunidade para se apresentar perante mais de 250 decisores e decisoras como localização económica competitiva, sobretudo nas áreas da tecnologia, da indústria, da energia e dos serviços internacionais”, informa Thorsten Kötschau, diretor executivo da CCILA, e acrescenta: “Trouxemos o evento a Lisboa porque acreditamos na crescente importância de Portugal para a economia alemã. O nosso objetivo foi criar um fórum para inspirar, estimular o debate e promover o networking entre responsáveis de empresas e organizações portuguesas e alemãs, com atividade em Portugal e em toda a Europa.”
Saertex, Bosch, DIHK e Leica debatem estratégias para aumentar a competitividade global
No painel “Reforçar o Poder Comercial da Europa”, Volker Treier, chefe de comércio externo e membro da direção da Confederação Alemã das Câmaras de Comércio e Indústria (DIHK), debateu com três responsáveis de empresas. Treier sublinha: “As empresas precisam de menos burocracia, preços competitivos na energia, processos de autorização mais rápidos e um mercado interno que faça mesmo jus ao seu nome – as fronteiras internas têm de ser totalmente eliminadas, não só no que diz respeito à circulação de mercadorias, mas também aos serviços, à energia e ao capital. Ao mesmo tempo, a Europa tem de permanecer aberta: Novos acordos comerciais e parcerias fiáveis criam mercados de venda e ajudam a reduzir as dependências. A competitividade surge onde as empresas têm espaço de manobra para investir e crescer.”
Frank Meyer, diretor executivo da Robert Bosch GmbH, concorda: “Os responsáveis políticos têm de reduzir a burocracia, garantir custos competitivos na área da energia e da localização, bem como facilitar os investimentos.” Também apela às empresas: “Têm o dever de reduzir as complexidades internas. Para tal, devem investir de forma consistente em IA, em novos modelos de negócio e em novos serviços. A próxima fase da IA é uma oportunidade especial: A Europa pode aproveitar a sua força industrial e os dados do mundo real para assumir um papel de liderança no domínio das soluções de IA industrial.” A Bosch emprega mais de 5900 pessoas nas instalações de Aveiro, Braga, Lisboa e Ovar com investigação & desenvolvimento, produção e serviços. Em 2025, atingiu um volume de negócios de 2,1 mil milhões de euros. Quanto ao investimento atual de 100 milhões no desenvolvimento e na produção de bombas de calor até ao final de 2026, Frank Meyer garante a continuação de investimentos e explica: “Portugal oferece-nos várias vantagens estratégicas: uma base industrial sólida, um panorama diversificado de investigação e de ensino superior, bem como acesso a mão de obra qualificada.”
A Saertex é líder mundial no fabrico de têxteis técnicos a partir de fibras de vidro, carbono, aramida e linho. Com 12 localizações e uma equipa internacional de 1100 pessoas, fatura atualmente 210 milhões de euros. “A unidade de produção em Portugal é uma parte importante da nossa presença europeia. Aqui continuamos a desenvolver, de forma específica, os processos de fabrico para garantir a qualidade e a eficiência a longo prazo”, informa Christian Beckmann, diretor executivo da Saertex GmbH & Co. KG. No que diz respeito ao poder comercial da Europa, recomenda: “As empresas não devem encarar a sustentabilidade como obrigação regulamentar, mas sim como oportunidade. Quem implementar atempadamente os critérios da taxonomia da UE e os comprovar de forma transparente cria uma vantagem competitiva – em concursos públicos, financiamentos e investimentos.”
Como aproveitar a IA para reforçar a economia europeia
No painel sobre as oportunidades da IA, Sabina Jeschke, CEO do KI Park, defendeu que “o futuro da Europa depende da nossa capacidade de criar, com a IA, as melhores máquinas, fábricas e infraestruturas do mundo.” O KI Park é um ecossistema europeu de deep tech e IA que liga empresas, start-ups, investigação e capital através de casos de aplicação reais e que leva as soluções da fase-piloto para a fase de produção. Sabina Jeschke sublinha: “A IA altera a lógica da concorrência: passa a ser decisivo com que rapidez uma empresa aprende com a IA, integra competências complementares do ecossistema e, a partir daí, cria produtividade mensurável, resiliência e novos modelos de negócio.” Da política, espera que “assegure capacidade computacional, energia a preços competitivos e capital para o crescimento” e que “reforme, de forma rigorosa e radical, a legislação relativa à proteção de dados, ao regulamento da IA e à lei dos dados para que as empresas possam experimentar rapidamente a IA, integrá-la em produtos e processos e expandi-la a nível europeu.”
A rapidez também é a palavra-chave para Oliver Steil, CEO da TeamViewer, empresa especializada em tecnologia de informática. “O problema é, neste momento, o ritmo de transição da fase-piloto para a implementação generalizada. Quem conseguir acelerar este processo vai conseguir fazer da IA um motor de crescimento para a economia europeia”, defende e acrescenta: “As empresas europeias de tecnologia podem dar o seguinte contributo: levar a IA aos locais onde facilita, de forma notável, o trabalho.”

